Chocolate: comer ou não comer?

Na semana da Páscoa, o chocolate passa a ser personagem principal nos lares, ganhando formas de ovos ou bombons de diversos tipos. Essa maior oferta de chocolate se torna uma verdadeira fonte de tentação e dúvidas: comer ou não comer?

Olhar para o cacau e não lembrar de uma saborosa barra de chocolate é praticamente inevitável.

O nome científico do cacau é Theobroma cacao. O cacau é uma fruta nativa de florestas quentes e úmidas. Por conta do clima tropical favorável, principalmente no sul da Bahia, o Brasil já foi considerado o maior produtor de cacau do mundo. O cacau tem a forma de uma amêndoa grande, contém de 20 a 40 sementes e tem o sabor doce e agradável. Já a sua semente é amarga, aromática e oleosa.
 
A semente é a parte mais famosa do cacau, utilizada pela indústria para a fabricação do chocolate.
Com a semente extraída da planta, acrescida de mel e baunilha, os aztecas, há muitos anos, confeccionavam uma bebida considerada sagrada, o tchocolat. Esta receita foi levada para a Europa, sendo posteriormente aprimorada, acrescentando-se grandes quantidades de açúcar, e leite condensado. Foi assim que o chocolate caiu no gosto popular.
  
Atualmente, o chocolate é um dos doces mais consumidos no mundo todo. Mas cuidado – seu consumo pode ser prejudicial à saúde!
 
Resistir ao chocolate é quase uma missão impossível, mas o seu sabor não é a única razão que nos faz desejá-lo. O segredo desta paixão está na composição: a aposta em ingredientes que causam vício. Nenhum tipo de chocolate estará livre de açúcar, gordura e estimulantes (como cafeína e teobromina). Esses três ingredientes altamente viciantes são responsáveis pelo intenso “gostinho de quero mais” presentes nos bombons, barras, bolos recheados e ovos de páscoa.
 
 
A sensação de bem-estar, concentração e energia atingida após comer um chocolate também faz desse doce um grande inimigo das dietas. A ingestão de chocolate aumenta a liberação de dopamina no cérebro, conhecido também como o hormônio da felicidade, trazendo a sensação de relaxamento e bem-estar.
 
Sentir-se relaxado e tranquilo não é algo ruim; o problema consiste na confiança de que o chocolate trará esta sensação. Muitas pessoas fazem do chocolate um escape para desviar a atenção dos seus problemas, o que não é nada positivo: além de negligenciar situações pendentes, este tipo de relação com o doce rapidamente leva ao consumo em excesso.
 
Passar da conta ao comer chocolate traz complicações a curto e a longo prazo. Dos problemas imediatos, pode-se citar agitação, insônia, azia e diarreia.
 
Por ser tão gorduroso, torna-se também um perigo para quem é propenso a ter acnes, pois induz à inflamações na pele, originando assim as temidas espinhas.
 
Já os efeitos colaterais tardios são um pouco mais severos: O seu valor calórico elevado o torna um grande vilão para quem está acima do peso e pretende emagrecer.  Quando consumido em grandes quantidades, pode levar não somente ao excesso de peso, como também à elevação de pressão arterial, taxas elevadas de glicose sanguínea, hipercolesterolemia, diabetes tipo 2, doenças coronarianas, cálculos renais e até agravar alguns tipos de câncer.
 
De modo geral, os chocolates são compostos por 8% de proteínas, 60% de carboidratos e 30% de gorduras. Este teor de gordura é altíssimo, muito maior que o da grande maioria dos alimentos.
Ao leite, branco, meio amargo, amargo, todos são chocolates igualmente prejudiciais à saúde, mas dentre todos, o branco possui uma maior quantidade de gordura em sua composição. No seu processamento é utilizada a manteiga de cacau, ao invés da massa de cacau, que apresenta maior valor calórico e maior quantidade de gordura saturada.
 
Uma opção mais saudável para substituir o chocolate é a alfarroba. Alfarroba tem uma longa história de consumo. Ela era usada pelos egípcios antigos, mas antes mesmo disso, a Biblia conta a história de João Batista, primo de Jesus, que se alimentava dessa vagem.
 
A alfarroba é uma vagem comestível, de cor escura (entre o castanho e negro), que pode ter entre 10 e 25 cm de comprimento e leva cerca de 11 a 12 meses para desenvolver e amadurecer. Quando estão maduras, caem no chão e são comidas por vários animais, dispersando assim as suas sementes.
 
Toda a vagem pode ser utilizada. As sementes, que constituem a menor fração da vagem, cerca de 10 %, são utilizadas para extração da goma que possuem diversas utilidades em vários ramos da indústria. O restante da vagem pode ser comido ou usado na forma seca ou torrada. Nesse caso, a polpa é seca, torrada e, por último, moída. Com isso, obtém-se a farinha, cujo principal uso é ser substituta do chocolate feito com cacau.
 
 
A alfarroba pode ser considerada um alimento nutritivo e oferece alguns benefícios medicinais.
  •  Não possui qualquer agente alergênico ou estimulante tais como a cafeína e teobromina presentes no cacau – substâncias essas que estimulam o sistema nervoso central deixando o corpo em alerta. Por isso, o consumo da alfarroba é permitido para quem possui problemas de insônia e que não podem consumir com frequência alimentos ricos em estimulantes como o cacau, café e outros.
  • Tem propriedades anti-oxidantes que ajudam as células danificadas à sua reparação. 
  • É rica em vários nutrientes como fibras, vitaminas, principalmente vitaminas do complexo B, minerais como cálcio, fósforo, potássio, magnésio, e antioxidantes.
  • Apesar da farinha da alfarroba ter a aparência semelhante ao pó do cacau, apresenta algumas diferenças e vantagens em relação ao cacau tradicionalmente utilizado para fazer o chocolate por ter menor teor de gorduras, açúcares e calorias quando comparada ao pó de cacau.
 
Dentre inúmeros subprodutos vindos do cacau, o chocolate é o mais preferido e consumido pela população. Apesar de deixar água na boca de muita gente, as consequências da apreciação demasiada deste alimento podem ser extremamente danosos à saúde. 
Uma boa substituição para o chocolate é a alfarroba, pois apresenta menos calorias, gorduras e é rica em vitaminas e fibras, além de não conter estimulantes como a cafeína e teobromina. Nesta Páscoa, escolha com sabedoria o que comer, sabendo que a sua alimentação tem grande influência na sua saúde!